domingo, 2 de outubro de 2011

Abismo


Nesses seios veja a perfeita atmosfera
das esferas - nessas curvas sutis desses seios -
em estado de rotação.
(Esses seios, duplos arreios
sobre mim.)
Cada vez que contemplo seus olhos
nasce um poema sem versos,
sem palavras, despido de som,
apenas sensorial
.
Se não posso partir deste ponto, então não vejo recomeço,
e retroceder não aprendi.
Tudo tem alma, até este gesto vazio
que seus dedos esboçam no ar
.
Farfalham as folhas de minha epiderme
ao crepúsculo elétrico de suas junções.
Eu só vejo esses seios imaculados;
seios de Vênus ou de madonas de pedra,
porém, imaculados, que sei intocados.
A saga. O dualismo juramentado
desse amor nascido entre abismos
e que sempre me reintegrou ao seu eu perdido,
não posso narrar, tal o entretém de sua encantadora contextura.
A beleza verdadeira existe nas superfícies lisas
às vezes macias e acessíveis.

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