domingo, 2 de outubro de 2011

Ocaso


Houve tempo, já distante,
em que eu esteava as esperanças na força do espírito.
Ser tolo como bezerros novos,
que arremetem na direção do perigo.
(Aliás, qual outra a direção para o bezerro?)
O índio é pagão porque nasce pagão.  
Muitos foram sacrificados à neurose da força bruta.
Aqueles que comeram do pão e do vinho
vindo do céu
sob o impulso da cólera,
e sob as vergastadas da ambição,
com os estilhaços da maldade
leniram nossa lembrança
a golpes de arcabuzes e sob o fio
fino do aço frio
.
(Talvez viver outra vida em algum tempo futuro, entre quasares!)
Um singular matiz de tristeza
paira no ar.
Não foi a irrevogável decisão do Alto
mas daqueles que aqui chegaram
e aqui estão.
Não mais o orvalho a rociar as trilhas
nenhum índio vagando ao léo,
espantando borboletas multicores
que pousavam aqui e ali,
vendo eclodir as ramagens
os rebentos de graça
infinita,
as abelhas esvoaçantes,
o multicolor tapete de alfombras.
Nada pode amercear o caminho e só perdura
o carrilhão de desgraças.
Ah! Aos céus! O brado de sua bi-ausência!
O terror de uma tristeza imperecível
se sobrepondo ao caos do mundo,
ao caos do coração humano,
um mundo desfeito -
Quero voar, com força e densidade,
a qualquer altura,
anestesiado pelo continuado sofrer,
em um mundo que despreza a razão,
a verdade, a justiça e que cultiva o irracional,
a mentira e a injustiça extrema.
Sei, agora, de soberana clareza
que a vida é apenas trivial cotidiano
de infelicidades.

0 comentários:

Postar um comentário

 
;