Injustiça, pressão, perseguição -
mas eu resisto - é o lema filosófico e especulativo -
e que nem adianta recordar, nem contestar.
e que nem adianta recordar, nem contestar.
(O que me define é o inferno que me cerca - eu o aceito).
Com o poder nas mãos,
Com o poder nas mãos,
e com a posse das coisas
e na delícia das mulheres,
na hora da volúpia do poder
e dos sentidos alucinados
eu nem me lembro que fui
caiapó, porfioso nos trabalhos e nos propósitos.
Penso que sou caiapó. (Serei mesmo caiapó?)
Já não em mim o rescaldo
Penso que sou caiapó. (Serei mesmo caiapó?)
Já não em mim o rescaldo
daquele homem errante,
vadio, daqueles anos de sangue e fogo,
não vazio, de bárbaros jargãos,
ascendência no olhar;
não vazio, de bárbaros jargãos,
ascendência no olhar;
a cor do bronze polido
que nem o sol atiça.
O gesto se perdeu
e a fibra faliu.
Serei mesmo um traço
caiapó?
caiapó?
Não sei.
Nem gosto que me lembrem que sou caiapó.
E assim termino a existência
E assim termino a existência
sem esperança
e não resisto.
Amar é confiar,
amar sem compreender,
amar e aceitar,
amar e aceitar,
aceitar e ficar
envelhecendo e rindo,
envelhecendo e rindo,
sem lastimar a mocidade e os bens tidos
e perdidos.
e perdidos.

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