domingo, 2 de outubro de 2011

Descaminho


Quem não anseia pela vida em boa ordem?
Quem não alimenta seu sonho de grandeza?
Sinto que o que havia de melhor
se perdeu no passado.
Constato que o bem é frágil
e a gratidão é ambígua.
E que não se pode mutilar a essência do caráter
para resguardar a aparência das coisas.
O que nos sobra dos confrontos da consciência
é apenas uma unidade inútil
que não gera energia nem resultados
de limitados valores, que fossem.  
O que resta é um peso morto,
indecifrável. Que jazerá e será consumido.
De nada valerá o esplendor do passado
provisório e passadio em seu núcleo
de artificialidades cultivadas com certo esmero.
Ainda estão marcando o meu espírito
as traumáticas experiências da errônea vivência.
Sofria da dependência de uma amarga caminhada,
indestinada
, quando caiu sobre mim a certeza:
Deus se insere em todas as impressões
que vagueiam em nossos pensamentos,
e com naturalidade sobrenada nas águas
mais mansas de nossos olhos,
penetra no sistema móctil de nossos nervos,
corre dentro da corrente sanguínea
e nas infinitas explosões moleculares
dessas células que formam miríades
de mundos a cada "instante-instante",
ínfimas frações de segundos,
absorvidos pela voracidade das dimensões
inconhecidas.
E diante de toda essa cosmologia formidável,
muito mais complexa do que o que nos é ensinado,
eu sinto a necessidade de aprender
a ser humilde, completamente humilde.

0 comentários:

Postar um comentário

 
;