Às vezes pareço a pestilência de um rio envenenado
que não corre mais, coberto de impurezas,
que não corre mais, coberto de impurezas,
que se arrasta, espesso e pesado e que desconhece seus limites.
(Conheci coisas de Sartre, Van Gogh, Camus e Nova York).
Fui caiapó dos horrores. Tenho uma realidade íntima,
(Conheci coisas de Sartre, Van Gogh, Camus e Nova York).
Fui caiapó dos horrores. Tenho uma realidade íntima,
exclusiva. Não tenho medo do interno, nem pretensões sobre o céu. I
Sou um ser indolente,
traiçoeiro e perigoso, nefasto e sibarita,
pantagruélico, consumista - cripto e ingênuo.
pantagruélico, consumista - cripto e ingênuo.
Sou caiapó dos anos noventa, um senhor sem excelências,
sem fortes odores, ressumo a menta e tenho noção de mortalidade.
(Aprecio lavanda e emanações florais).
E cada dia que se consome
se perde em chamas de isqueiro, bomba de gasolina,
garantia fiduciária, clips laminados, cotonetes
relógio de ponto, mictório público, lenços de papel,
detalhes mil, quinquilharias, duas taras e uma mania.
No fundo não sou passional, cético ou xiita.
garantia fiduciária, clips laminados, cotonetes
relógio de ponto, mictório público, lenços de papel,
detalhes mil, quinquilharias, duas taras e uma mania.
No fundo não sou passional, cético ou xiita.
Vez ou outra li algo de Barthes, nada, quase nada entendi,
provando bom champagne, degustando vinhos e amêndoas,
em mesas redondas e triviais.
provando bom champagne, degustando vinhos e amêndoas,
em mesas redondas e triviais.
Não faço mal nenhum, e a minha essência quase não aparece.
Não mais devoro inimigos e não ataco ao pôr-do-sol.
Não mais devoro inimigos e não ataco ao pôr-do-sol.
Agora, na partilha dos despojos,
na confissão dos erros, na recusa da justiça,
sob o domínio das leis pétreas, rígidas e fatais,
sob o domínio das leis pétreas, rígidas e fatais,
devoro minha própria vontade, renego minhas virtudes
e vou me consumindo em outras banalidades.
e vou me consumindo em outras banalidades.

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