domingo, 2 de outubro de 2011

Apelo

Aguardem de mim só o que for bom para todos
e para o esquema
.
Preciso só de um pedaço de perruma
bem diminuto
porque não acredito em minha fome.
Dormirei silencioso
nas sarjetas das metrópoles
a boca emborcada nas poças d'água
remanescentes dos esgotos.
E morto,
ponham-me de braços cruzados
rosto sereno
deitado em esteira, entre paus,
pronto para o recomeçar de sempre; pronto para os ciclos eternos.
Nada de uma digna posição
dentro de caixão
revestido de veludo e isopor.
Lancem-me ao rio
para que o corpo flutue no
duelo das pedreiras.
Pois eu sou humilde,
livre e pobre.
A verdade só tem um valor instantâneo.
Todo o Tempo se resume no minuto
eterno que vivemos.
Mas não mereci ser índio,
por isto me civilizaram.
Humilhem-me, mas não me matem,
trabalharei de sol a sol,
sem nada a pedir,
pois eu sou a raiz final de uma nação
e preciso viver, preciso viver.

0 comentários:

Postar um comentário

 
;