domingo, 2 de outubro de 2011

Sedução


Por que nesse seio túrgido
e em quieta placidez
,
- à espera do inesperado -
subsiste um engenhoso
esquema de torturas? Por que não um múrmurio de paz e de resignações?
E esta fome violenta - gestos de fera  
e passividade curiosa?
Não há medo, nem remorso, nem sinopse ética
que resista à ânsia de criar.
No embaciado luar de sua densa atmosfera
diviso paredes alvas;
serigrafias, abstrações, marca d’ água,
xilogravuras, linhas crípticas, acrósticos,
aquarelas e águas mortas
- reais.
Havia certa relutância em afastar antigos conceitos.
Seu vulto estilizado
, verde turmalina,
delicado, debulhado sempre em lágrimas os olhos lindos,
segunda pessoa de mim mesmo. Não saberei jamais sobreviver a essa perda!
Troco as idéias por imagens substratas.
- Sei que é preciso sobreviver e ter coragem!
Cético, frio, intimorado, carrego meus escombros internos e externos.
Agora, tornaram-me um profissional da vida, e quase já não sofro.

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