domingo, 2 de outubro de 2011

Aridez


Quando a vegetação ressuscitar sob o orvalho da manhã
Deixarei de fazer exercícios para manter a minha eternidade
Hoje, dizem, é véspera de Natal
,
e eu não quero ser o primeiro em coisa alguma.
Só não quero ser o último.
Mas não pressinto mágica nenhuma,.
as lembranças são irredimíveis.
Antes - quando o sabor da alegria salgava meus lábios -
eu distinguia o clima de festa
pelo acender das luzes e o respingar de prata
dessas árvores.
De olhos fechados, ternura metafísica,
trabalhava meu poema - sem linguagem.
Nas cortinas da memória
ecoam todas as palavras
das pequenas e grandes verdades
algumas até evidentes,
outras impressentidas,
que eu disse ou desdisse.
(No devaneio da selva meu companheiro era o coração.)
As ruas que percorremos
ou que jamais percorreremos
levam-nos às portas que nunca abrimos.
Portas intatas - só não quero ser invasor
.
Por detrás de cada porta pode haver um roseiral.
Na névoa da desesperança,
permaneci todo o meu tempo à espera...
Um colar de dias infinitos
,
de aqui, de ali, de acolá.
Mas a desesperança é a véspera da esperança,
e este é o meu consolo.

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