Hoje, vejo a terra povoada
por uma gente abúlica,
perigosa e anárquica
por uma gente abúlica,
perigosa e anárquica
e a selva, não densa e verde, ainda tem restos de beleza,
mas de complexo vazio e labiríntico descaminho.
mas de complexo vazio e labiríntico descaminho.
E, se o axioma fixa que ninguém é inocente
mesmo assim declaro que não tenho mácula,
que sou decente e puro
produto do sangue que jorrou pelas pedras
de Jerusalém e que se derramou no Gólgota.
Não há uma culpa definida sobre Pilatos
de Jerusalém e que se derramou no Gólgota.
Não há uma culpa definida sobre Pilatos
e Judas, nem pela sanha de Herodes.
As lendas várias se misturam
às fantasias mais áridas.
Não entendo se as matanças são necessárias,
por mim acho que não são,
por mim acho que não são,
e nesse sentimento de piedade pela vida
de povos, indivíduos, animais e plantas,
de povos, indivíduos, animais e plantas,
eu, caiapó, já me considero ainda mais inocente.
(A inocência é gradativa).
(A inocência é gradativa).
Nasci na terra, em absoluto estágio de isenção
e sinto-me anterior às histórias daqueles tempos.
Impoluto, mesmo assim tenho ruaiãna.
Impoluto, mesmo assim tenho ruaiãna.
Apesar de tudo, eu, às vezes mato! Mato como um tumbeiro.
O desconsolo governa minha vida
O desconsolo governa minha vida
e a represália comanda meus gestos.
Por isto, mesmo piedoso e puro, às vezes eu mato!
Sou um muzungo! Suprimir é parte de minha natureza.
Sou caiapó, sou a aurora da raça
Sou caiapó, sou a aurora da raça
e, como um personagem de Ésquilo
perdi o controle de minha vida.
perdi o controle de minha vida.

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