domingo, 2 de outubro de 2011

Rebeldia


A pior desordem me cerca, mas renasço.
Renascendo em cada Natal -
de lenho em lenho,
cheguei a esta véspera
com você - sem você.
No caminho de pedras novas / escorregadias /
estou à sua espera todo santo dia
no espírito desta primavera
em plena escuridão.
Exultação. Um frêmito de asas noturnas.
No silêncio das noites, os odores da noite,
os excrementos da noite,
sem Anunciação
mas sulcada de bólidos,
vivo a largada desta espera.
Exaltação. O que vale para a alma, vale também para o corpo.
Sei que esta é a última véspera. Sempre quis ter o azul do céu.
Doença da juventude
escala do amor
ou câncer da maturidade,
seu amor nas fotos, espantosamente claras.
Alegre diletantismo, jogos obscenos
passiva obrigação, doce mistério, uma suplicação.
Direi Ave César,
sussurrarei "quosque tandem"
mas não perturbarei ninguém
.
Estenderei o fio elétrico
ao longo das estradas
e os dormentes e trilhos
das ferrovias,
a pé - para ajudar o trânsito,
de pé - para aplaudir os que correm,
em pé - para não cair de todo.

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