Nada rondando o nada.
Na década derradeira, sendo tudo muito lento,
a velhice voejando, proliferando e disseminando
pelo corpo combalido toda sorte de mazelas,
a velhice voejando, proliferando e disseminando
pelo corpo combalido toda sorte de mazelas,
os mistérios do entremeio crescem, a mente entorpece
dentro da desordem funda e celular,
dentro da desordem funda e celular,
que viceja entre a floração e o desfolhar...
Sobre a vista e sob os pés,
Sobre a vista e sob os pés,
caramanchões derramam buganvílias cadentes
nas anfractuosidades das amuradas envelhecidas
recobertas de lodo e manchas musguentas,
nas anfractuosidades das amuradas envelhecidas
recobertas de lodo e manchas musguentas,
flores pejadas de cores, transparentes linfas
entrelaçadas, cor-de-rosa, rosa-cor, rosa-roxo
vazando copiosas vagas de tristeza.
entrelaçadas, cor-de-rosa, rosa-cor, rosa-roxo
vazando copiosas vagas de tristeza.
Aos ouvidos desatentos desce a sonoridade plangente
de gorjeios e trinados
de gorjeios e trinados
toques de asas ruflando
nos campanários altos e vetustos
incrustados no entardecer melancólico da existência.
As estreitas vielas e seus barrocais
As estreitas vielas e seus barrocais
derramando desolação nas almas de partida marcada.
O espírito se debruça sob os respingos das chuvas
nostálgicas que caem nesses outeiros,
O espírito se debruça sob os respingos das chuvas
nostálgicas que caem nesses outeiros,
nas ladeiras enseixadas.
Tudo é pranto pelos sentimentos doidos e libertários
que se esvaneceram. Tudo desce fundo, cada vez mais fundo.
Ali, no ponto focal, gravitam almas com saudades permanentes
e duradouras. Tudo quimera, nada mais que sonho e banalidade.
Nem trabalho, nem farnel. Somente inutilidades.
Ali, no ponto focal, gravitam almas com saudades permanentes
e duradouras. Tudo quimera, nada mais que sonho e banalidade.
Nem trabalho, nem farnel. Somente inutilidades.
Apenas os mortos estão a salvo, agora, na sua realidade
inerte e vazia, de vácuo entre um tempo passado e um tempo presente.
Se existe um Deus, a que me diz respeito sua existência?
Se existe um Deus, a que me diz respeito sua existência?
Talvez, se o conhecesse,
até chegasse a amá-lo,
deixando mesmo de temê-lo.

1 comentários:
Olá Maria Clara...
Adorei o blog do seu pai!
Acho legal divulgarem as poesias do Warnim.
Parábens...
Bjim (-.-)
Leila Camargos
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