domingo, 2 de outubro de 2011

Amor


Não a compreendi, nem compreendi as estrelas.
Passei a vida toda em perambulação.
Foi para você que passei o tempo todo
pensando - as maritacas perpassam num vôo rasante pela trilha,
escrevendo - os meus atavismos de uma comunidade primitiva,
trabalhando - remin
iscências doces, de fundo erótico e romântico,
sofrendo, vedando azo ao desagradável
.
A esperança foi sepultada na curva
suave daquele delta
envermelhecido. Pirotecnia nos céus. O sol rebrilha. Fantasmagorias.
A melhor palavra dessa vida está transfixada
no embrião da paz
e da morte.
O tempo impõe ao tempo o encadeamento do tempo e a inserção
de todos os tempos que revestem sua existência uniforme e cadenciada
A morte: - uma questão de paciência e coragem,
filtrada pelas brumas dos espíritos.
Frisas, camarotes, forrinhos,
compridos chalés, pradarias floridas, êxtase parcial.
Ruinosas meias-águas merencórias
e nenhum castelo com grades. Éramos livres como o ar.
Um balé sagrado encenado sobre o adro centenário.
As portas acolchoadas, sem lambris.
Os frontões maciços, bulbos bizantinos
das vivendas, com caramanchões atulhados de plantas e flores,
de portões heráldicos, nos patamares das arcadas.
Bangallows - sobrados - palácios - palacetes
com detalhes nos mirantes, portais tremidos fechados em vergas curvas
sobrepostas;
nas cumeeiras as telhas e torres chanfradas em cunhais. Telhas cônicas,
enferrujadas e quebradas.
Poucos detalhes cênicos, do reto ao abaulado.
Jacás de taquara - gatos dormindo,
Arremedos de estilo dórico
nas empenas retas dos frontões, entre volutas e curvas rampantes
colunetas, arquivoltas abertas em janelas fixas
, cortinados de damasco,
nichos e peanhas entre as colunas salomônicas.
(Será Bizâncio? ... ou Nova York?)
Nada importa estando você distante.

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