domingo, 2 de outubro de 2011

Véspera


Guardei muitas coisas no recesso aberto
de minha mente vadia. Coisas protegidas
por meu indomável coração.
(Não falo de bólidos de aço e monstros de concreto
que rugem, se entrecruzam como feras.)
Alvaçãos, bragados, caraças,
chapéu batido na testa, gibão de couro,
bandoleira, cintão de onça, botas altas,
almocafres, gamelas e batelas,
escopetas, gibão de armas, bruacas e belbutes.
Sentado no chão, flechas nas mãos,
curare nas pontas enristadas,
palhoças, palhadas, taba tribal,
no ventre cheio da mata.
Ao derredor, o vento urdia destruições.
No debruar do verde inextric
ável,
o pio ameaçador do pássaro caçador,
soou forte e ecoou como o ruflar
das asas da guerra, desfraldando na clareira
invisível
, o pálio roxo de doloroso estigma,
cirandando no ar, em voos orbitais.
As borboletas, aos milhares, migravam - era o paná-paná.
A sagrada taba invadida!
Gotículas de orvalho sobre as folhas lisas,
torrentes de sangue empapando a terra insaciável
.
O tempo é um sádico psicopata
que inventa e re-inventa nossa dor
e providencia, logo após, a acomodação.

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