domingo, 2 de outubro de 2011

Visões


Via nossa casa pregada rente ao céu,
mas a colina era baixa, sem escarpas e sem cume.
N’ algumas ladeiras o corpo se contorcia
em curvas de nível, naturais,
cobertas de grama verde e o curso vadio'
da descida punha à vista suas cavas gretadas,
e algumas fossas escuras, pequenas cavernas,
e um esqueleto pétreo, escorregadio e feio.
N’ outras áreas, já despidas do declive,
apareciam rachaduras velhas, com pedras
encravadas
, como se fossem fissuras
hemorr
ágicas num organismo anêmico,
festim de silencioso holocausto.
Via nossa casa pregada rente- ao céu.
Mas agora, na hora da anêmola e da azagaia,
tenho de esquecer do passado.
Chegado está o tempo de mudança.
Teremos que catar lugares em outras vargens
vazias, ora eu, com clareiras ao derredor
.
Há pessoas que tudo sabem de tudo e muito pouco
de si mesmas, ora eu, que muito pouco sei.
O caminho que subia para casa e o caminho que descia
para o vale era sempre o mesmo, ora eu.
Não há um caminho único para se chegar à razão.

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