domingo, 2 de outubro de 2011

Batalha


Restos de gente
debandada,
escarilhada,
escanteada,
nenhuma sepultura.
Abutres, em festivais macabros,
sacodem suas asas e tapam o sol, espanando o pó.
Nem sempre a esperança faz parte do homem
caído.
Sem objetivo e sem alma, tocado pelas asas da morte,
o corpo não se move.
(Maltrapilhos e desvairados não convergem
para o foco
omega.)
Espadas flamantes, gérmens inoculados
chibata, metralhas,
esteira, retalha, o gás, a cerca, o trator.
Engolfado o sol
,
sanguinolento, encoberto pelas nuvens negras
de ignomínia.
Bacamarte, espingarda
chumbo, chumbeta,
pistola, canhoneio,
caminhão - facão:
- a orquestração funérea
espalhada pela ravina.
Excrementos, ossos descarnados, sangue e carniça.
A corda,
canga e serpente
amarrando destinos
à senda da escravidão.
Nenhuma apetência. Como subsiste o não ser?
Ficar sem exigir
A vida do verbo é o seu regime.

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