domingo, 2 de outubro de 2011

Santidade


Eu vi quando a santa
surgiu
entre nós,
como um anjo de guarda.
Dela exalava um perfume
de mirra
que salgou a terra
e manchou as rosas.
Seu peso era o das pétalas
e seu rosto estava coberto
por um véu de névoa
.
Comoveu-me a solidão daquele espírito.
Era alguém de plagas celestiais.
Nada falou.
Petrificados, pisamos em nossas armas,
beijamos a Terra áspera
e calamo-nos para sempre.
Ficaram as ervas aromáticas,
a tigela quebrada,
e a toalha rendada.
Nos seus olhos brilhavam lágrimas
duradouras, na bruma da paixão,
e o ouro frondejava das cálidas areias
aos seus pés inanimados. Eu disse, então:
- "Sou familiar da morte.
Desde criança eu a cortejo,
adulo, bajulo, provoco.
Frequentemente dormi ao lado dela."
A santa manteve seu olhar manso
e não me deu qualquer confiança.
Vomitei sangue na solidão da madrugada.

0 comentários:

Postar um comentário

 
;