Minha sombra fixa-se aqui.
Sou caiapó natural - a pobreza
é ligação infinita
Sou caiapó natural - a pobreza
é ligação infinita
e meu sangue fertiliza
os cerrados, que percorri descalço e nu, sem beleza.
Eu ou algo de mim mesmo (estarei existindo ou sou apenas lenda
que criei?)
na fugacidade do meu ser ou apenas torça autóctone.
Meu sangue poluído - Césio-137, partícula plúmbea,
diesel, Estrôncio-90, Iodo-129 ,
Meu sangue poluído - Césio-137, partícula plúmbea,
diesel, Estrôncio-90, Iodo-129 ,
cachoeira inesgotável
e rubra como as brasas
do inferno - não me põe ereto.
Mas na vigência destes dias ninguém mais é vertical,
e tudo se quebrou.
e tudo se quebrou.
Embebido de Keats, Miller, Fitzgerald,
de Elliot, de Ezra Pound e Drumond -
aprendi com os brancos, na verrina,
de Elliot, de Ezra Pound e Drumond -
aprendi com os brancos, na verrina,
a não ser caiapó. Acredito na percuciência, na sobriedade
e clara visão.
e clara visão.
Sou caiapó dos anos noventa
nascido em quarenta, sem pulsação, sem veias,
artérias cauterizadas,
artérias cauterizadas,
convertido e pervertido em sessenta.
(Se precisar, disponha).
(Se precisar, disponha).
Sou diplomado em Direito, sou macrobiótico,
vacinado contra os males da morte e já marchei enfileirado.
Sou o subproduto de um verme,
Sou o subproduto de um verme,
sepultado na lama
sob o peso de um tacão. Agora sou uma vida só.
Certo saber me revigora a encontrar a coragem que às vezes falha.
Baraço e cutelo - a velha lei - as pessoas e seus velhos jogos.
Baraço e cutelo - a velha lei - as pessoas e seus velhos jogos.

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