domingo, 2 de outubro de 2011

Sentença


Ah! Os ciclos eternos
e insondáveis
,
tudo recomeçando sempre
sem um princípio e sem um fim;
um universo pluriforme
talvez infinito,
a se refazer no lugar da partida.
Em cada instante sucessivo da existência
persistem sentenças de origens
inumanas, verdadeiros libelos, e sentenças
emanadas do mundo imediato e convencional
.
Não é fácil prever a queda
do arcabouço espiritual
de nossa estrutura carnica.
Caímos e sequer percebemos
,
continuando sob o primado de uma arrogância
genética, incurável e irreversível.
Terão nossos primeiros sentimentos
nascido da suprema qualidade do belo?
Terão vindo do ventre da radiação solar
incognoscível e flamante?
Ou já surgiram das convenções privadas
e das urdiduras cotidianas menos nobres
casuísticas e pútridas?
Seremos todos nós criados por seres semelhantes
usuários de falsetas, encenações e estratagemas
para usufruir poder e ganho?
A sentença final, ao que parece, engendrada
com antecedência na vida de cada qual,
somos nós mesmos que exaramos.

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