domingo, 2 de outubro de 2011

Indene


Onde as vacas luminosas, os carneiros
acolchoados e os leitões redondos,
redondinhos, de cauda re
torcida?
Não estão mais nos pastoreios lá do alto.
Mores!
Sou caiapó - resumo do mundo -rascunho da vida - garatuja do
destino -
e não apenas patamar
humano.
Tenho por hábito salutar
não despertar ciúmes
nos deuses.
No mato,
a cascavel chocoalha
e mata
a urutu sibila
e mata.
E o estrondo dos touros
em luta
chifre e força
força e chifre
levanta o barro do chão
derruba a cerca e a casa
derrama o sangue
a água e a ração
e mata.
E me limito a recuar a velhice,
a afrontar e enfrentar a morte
e os terríveis perigos da juventude.
Não tenho ouvidos para o dinheiro,
vivo em campo aberto,
reinado do sol
primado do vento
ao retocar das águas.
Onde os pássaros de vôo azulado
como aço de modernas caçarolas e onde os
trapezóides e trapezistas,
onde o leite dos latões amassados?
O padeiro e a carroça,
o gato fugidio, o cão escuro,
madrugada e ventania,
solidão e alegria
e a carniça putrefata dessa infância recordada,
nunca morta?
Tragam um prato de lentilhas
ao mendigo recurvado
no altar e na vitrine.
Sempre soubemos que de melhoral e guaraína
estamos entre o menor mal
.
Os bosques, as flautas, a liberdade,
a luz morna na candeia,
a cadeia.
As estrelas brilhavam diamantinas,
metalizadas e esfaceladas pela galáxia.
Recebemos as frias mensagens governamentais.
e laboramos todo o tempo para elas.
Os que chegarão amanhã
virão cantando reggae jamaicano.
Toda a massa perambulante de agora
diuturna e noctâmbula
nunca teve um pássaro à mão.
E agora
percorremos estas aléias
superdimensionadas
as avenidas metalizadas
reencapadas
plastificadas e pressurizadas.
Corpos andantes
circulantes.
Rostos iguais - não iguais, de pano e zíper e couro.
Não há muito em que apoia
r a paz e a esperança.
Não há muito em que pensar seriamente.
Nenhuma glória a cantar.
Nem histórias dignas de contar.
Retirada a paulama, a pauzeira,
na terra restaram algumas coivaras.

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