domingo, 2 de outubro de 2011

Vivência


Às vezes, nos raros e calmos ócios
de atribulados cotidianos,
cerro os olhos lassos no brilho de uma luz
que não me vê
e nem vê estrelas
cinzeladas na indefinição de um luar
leitoso e enevoado,
e me sinto esvair
de dentro para fora,
em suavidade de um fio de mel que escorre,
como se fosse a hora da extinção inevitável
.
Mas eu não morro; certamente haverá pior momento
em pior lugar
, em uma pior circunstância.
De meus sonhos fanados, o tempo foi efeito;
de meus ideais mortos, o tempo foi causa.
Minha mãe morreu de velha, num vetusto canapé,
o pai se acabou na beira de um rio
, água poluída,
meu irmão tombou no meio de uma estrada, envolto em pó e pedriscos.
Agora, eu sei que a vida-água turva em alguidar de fundo raso -
representa inelutável equ
ívoco
de entendimento, pois a morte
é a essência de irretorquível lógica.
Surge em mim uma dolorida ânsia de dizer adeus ao mundo.
E eu digo e repito que um abaúna já não sou
.
E manifesto boa-tarde a quem passa:
-"Ianê caruca"!
Mas, com simpatia, não há ninguém para responder.

0 comentários:

Postar um comentário

 
;