domingo, 2 de outubro de 2011

Tribo


Apenas a taba e os antigos tabus tribais
merecem de mim um reles valor venal
.
Assim mesmo porque estou apalavrado
com diletos deuses
que amam e protegem - até certo ponto -
os agrupamentos dos gentios.
Nada prendo ao meu querer
e não me prendo a coisa alguma que me queira.
Aqui nem batalhas homéricas ou tradições ilíadas
apenas lutas renhidas e primitivas,
de sobrevivência e reduzidas conquistas,
todos dançando ou rezando em cantochão,
oprimidos pela triste opacidade da vida.
Os feitos de guerra de bravos,
as travessias dos cerrados e florestas,
ficam sem registro em pergaminhos, pedras ou glifos.
Nenhuma ancestralidade heráldica, nem traço de grandeza,
um passado árduo que não se pode decodificar
.
Poucas lendas para se narrar ao derredor do fogo.
Pedras tumulares, ásperas, e sem epitáfios.
São homens livres, fortes e descuidados,
elos telúricos, persistentes elos, sem legados
espécimes únicos, em extinção. Tardos no entender,
lépidos no caminhar e nas ações, mediúnicos,
presa de poderosa antinomia,
não passam de pedras inamovíveis do caminho
estreito da evolução. Não há como lhes mudar
o estilo de vida e o ponto-de-vista.
São temperados e balanceados
entre a Terra e o Criador.

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