domingo, 2 de outubro de 2011

Não e Nada


De repente despertamos arrasados,
acutilados pela dor desconhecida
que penetra a matéria que amamos.
Pensamos todo o tempo
no controle das coisas
que temos e não temos
pensando que temos.
Não nos aguentamos sobre as próprias pernas.
Nada temos, nada controlamos.
Nossos pais, não e nada.
N ossos filhos, não e nada.
Companheiros, não e nada.
Amigos, não e nada.
Nosso íntimo, não e nada.
Nossa alma, não e nada.
Os dias passam, o tempo permanece,
sem fantasia, sem alicerces e sem fé.
Passamos por dentro do tempo que não vemos,
que não sentimos e que não temos,
e desaparecemos sem deixar resíduo.
Nossa lógica não se encaixa na lógica da fatalidade.
Tudo o que sonhamos, tomos e somos, não e nada.
Coração esmagado,
respiração sufocada,
lágrimas explodindo.                                                               
Desprezar o mundo tão amado,
zerar a vida, renegar a Raiz,
aniquilar a morte
antes da partida, encarar a sorte,
eis o que nos resta!
Eis a saída! Única!
A vida é nada com um sabor de detalhes.

1 comentários:

Anônimo disse...

Linda!!

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